Resenha: Te pego na saída + Não atravesso a rua sozinho, de @Carpinejar




Autor(a): Fabrício Carpinejar
Coleção: Vida em pedaços
Editora: Edelbra
Páginas: 96 / 112
Ano: 2013
A Coleção Vida em Pedaços apresenta as lembranças de infância de Fabrício Carpinejar. Nestas crônicas, os acontecimentos cotidianos ganham de volta a magia perdida com a chegada da vida adulta.



Apesar de ler crônicas avulsas do Carpinejar por muitos anos, nunca tinha parado para ler um livro dele até o ano passado quando tive a oportunidade de ler Espero Alguém que gostei tanto que tive que ler duas vezes para conseguir falar aqui no blog sobre ele.


O ponto alto para mim de todos os textos do Carpinejar é que ele consegue de uma forma tão bacana traduzir sentimentos genéricos que podem ser sentidos por qualquer um em seus textos sem se dirigir a um público limitado.

Durante a leitura desses dois livros não apenas me senti de volta a minha infância, aos meus 'problemas' que naquela época eu não dava a devida importância como também me senti compreendida. Pela primeira vez em anos, não me senti sozinha por ter pensamentos saudosos da falta de tecnologia da minha infância, vi que outros tem uma saudade tão intensa quanto eu em relação a toda a simplicidade daqueles tempos. Teve também a reflexão sobre as visões de quando eu era apenas filha e de agora como mãe - algo que sempre tento pesar, mas que o livro trouxe novos questionamentos.

Ter telefone fixo constava como luxo; orelhões cumpriam urgências. O jeito de conversar era passar na casa do amigo e ver se ele estava, e deixar recado para que ele passasse de volta na minha.
Página 13 - Não atravesso a rua sozinho
A compaixão não educa. É quando subestimamos o próprio filho. Quando não suportamos a discordância e isolamos a dificuldade. Em vez de apoiar, substituímos. Fortalecemos uma ausência.
Páginas 70 e 71 - Te pego na saída

Se você nunca leu nenhum livro do autor, esses dois são boas portas de entrada pois retratam apenas a leveza do cotidiano da infância que quando relembrada com mais maturidade, leva a pensamentos inusitados e sensatos daquilo que vivemos. O que mais me deixou contente na leitura dos livros é que mesmo sendo autobiográficos, o autor consegue fazer críticas e elogios a si mesmo, a sua trajetória e aos que o rodearam de forma leve, sem cansar o leitor e além disso, provocar a auto crítica de quem lê, ao menos comigo funcionou dessa maneira. Não é difícil você rir das travessuras dele na infância ou se amargurar com suas tristezas e dificuldades.

Sinto uma timidez terrível. Mas sinto medo de ser tímido para não sofrer - é o que me faz não ser tímido. O medo de ser tímido é maior do que a timidez. Sou expansivo por falta de opções.
Página 20 - Não atravesso a rua sozinho

Os livros são compostos por crônicas bem curtas e seu conteúdo também não é longo - um máximo de 112 páginas em um dos volumes -, sem dúvida pode ser lido em uma tarde. A narrativa é tão gostosa que você nem sente o tempo passar. Ainda não sei quantos livros serão no total, mas eu quero muito poder ler todos eles além de outros livros do autor e da editora. 


A diagramação dá um show a parte já que tem ilustrações que refletem alguns textos do autor ou apenas complementam o livro para não ter muitos espaços vazios o que faz com que o livro fiquei ainda mais bacana. A editora não economizou no cuidado e quem tem em mãos, agradece.

Livro mais do que recomendado para você que adora crônicas ou para quem quer começar a ler livros do gênero.

Dormir na infância era perder tempo. É estranho pensar que atualmente só quero dormir. Dormir hoje é ganhar tempo. O que não dormi na infância pretendo dormir na vida adulta. Saudades do que não aconteceu.
Página 86 - Não atravesso a rua sozinho

Os livros foram cedidos para resenha pela Editora Edelbra.